assim, como o dia

uma casa
passamos velozes
por ela
deveríamos ter visto
o pintor de paredes
pendurado
e lá dentro
quatro ou cinco vidas
intensas
e provavelmente
o alarido infantil
dançando
como uma paisagem
e a velocidade
era como se fosse o dia insuflando-nos a boca
ou
quem sabe
fossem nossas bocas inflando o dia
mesmo que não disséssemos palavra
assim, nós
por um lado da estrada
os vidros abertos do automóvel
passando
havia uma escada
e apetrechos
coloridos
e pincéis
dois ou três heróis
escondidos por trás das cercas
brancas
pontiagudas
à espera do momento certo
para atacar
a brincadeira
era mais importante
o que deveríamos descobrir
à frente
foi por isso que não percebemos
muito bem
estávamos tão preocupados
com o tempo
ele
que sempre nos absorve