telefone ocupado

Estou fora do ar
isto é
quando o ar existe
Sei que não penso
através das palavras
é uma outra algazarra
são como canções
internas
tão internas
outras vezes são como marteladas
só minhas
no centro
entre os ouvidos
Finalmente sigo em direção ao velho
sentado no parque
Tento outra vez
e mais uma vez ainda:
telefone ocupado
Sento ao seu lado
velho amigo
querido poeta
ele traz mínimos pássaros presos
com alfinetes
à fita do chapéu
Esta é uma tarde dourada
outra vez
e há o azul em todos os cantos
Penso
entre marteladas
numa viagem
até o arquipélago das Aleutas
Fito seus olhos
cegos
finalmente pergunto:
haverá tempo ainda?