o ar

Levei a mão à cabeça
O inferno acima
arremessava me arremessava
Lembrei que eu e o fogo e o ego
lutamos
por longas eras
Eu só trazia meus dedos
não mais que cinco dedos
enroscados
ao trapézio
Pensei novamente na queda
no paraíso em vida
nos palhaços
no purgatório
nas cambalhotas
no céu
na legião de mulheres abandonadas
e numa cabeleira sintética
vermelha
no centro do picadeiro
na bailarina e sua sombrinha
no cavalinho de pau
da infância
no tigre
e no leão desdentados
sonhando em suas gaiolas
num elefante em chamas
que banhava a si mesmo
Mãe de misericórdia
tudo crescia à minha volta
pedi por mais tempo
não de vida
nem de sorte
pedi por mais tempo
em suspensão
por mais um milhão de suspiros
um instante antes
de tocar a terra